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O mercado ainda conhece o profissional que você se tornou?

“Depois da fusão, eu virei a ponte entre as áreas. Mas sigo carimbado como o guardião do caixa.”


Por Juliana Starosky, Psicóloga da Carreira | Criadora da Metodologia STAR para Marca Executiva, Reputação e Transição de C-Levels e Lideranças | Fundadora da Starosky Consultoria | Headhunter da Carreira®


Essa frase não veio de uma queixa comum sobre falta de bônus ou de promoção. Ela surgiu em uma conversa com um CFO experiente, em um café que começou focado em números e terminou no campo pessoal. O incômodo dele era ver a própria reputação paralisada enquanto ele já liderava em outro patamar.



Em mais de 20 anos de carreira, tendo atuado por muito tempo no mercado de recrutamento de executivos antes de focar exclusivamente em apoiar o reposicionamento de líderes, eu observo esse mesmo padrão se repetir continuamente na mesa de conselhos e comitês de sucessão.


Profissionais entregam resultados excepcionais, mas continuam rotulados pela primeira função que exerceram com maestria.


Você provavelmente já sentiu esse mesmo peso. Diante da necessidade de se mostrar de forma diferente, um receio instintivo faz com que a maioria das pessoas recue. A mente interpreta o desconhecido como ameaça.


Para nos proteger do julgamento, nós nos calamos. Falamos pouco sobre as nossas novas responsabilidades e, sem perceber, ajudamos a fixar o antigo rótulo que tanto desejamos apagar.


Por que o mercado resiste a entender quem você se tornou?


A explicação para essa resistência não é política; é biológica. Dra. Sophie Scott, professora de neurociência cognitiva na University College London (UCL), explica que o cérebro humano cria atalhos para economizar energia. Quanto mais familiar for uma informação, menos esforço o cérebro faz para processá-la.


Se você passou anos entregando relatórios de fluxo de caixa sem erros, o sistema cognitivo do seu chefe e do conselho gravou essa função em uma pasta específica. O cérebro deles reluta de forma ativa em atualizar essa informação.


Mas qual é o custo de carregar um crachá que já ficou apertado para o seu momento profissional?

Um estudo conduzido pelo Center for Creative Leadership com 438 executivos apontou que profissionais subexpostos têm 33% menos chances de receber convites para projetos de alta relevância.

A barreira aqui não envolve falta de capacidade técnica. Envolve falta de valor percebido.


Enquanto o conselho da empresa mantiver a imagem de que você cuida apenas do operacional ou do financeiro, ninguém pensará no seu nome para liderar a inovação ou a cultura da organização.


Do dado bruto à narrativa de valor, como mudar a percepção


Para quebrar essa inércia, é preciso aprender a traduzir esforço em impacto palpável.

O CFO da nossa história, a quem chamarei de Marcelo, um nome fictício adotado aqui para preservar a identidade do profissional, possui 16 anos de experiência em uma multinacional de bens de consumo.


Ele decidiu mudar a forma como apresentava o seu trabalho. Em vez de apenas falar sobre a rotina financeira, ele estruturou suas três maiores entregas do ano em três linhas diretas:


  • Pessoas: A integração pós-fusão reduziu o turnover da liderança em 17% no primeiro ano.

  • Eficiência: O comitê de inovação poupou R$ 12 milhões em retrabalho no primeiro ciclo.

  • Decisão: A plataforma de analytics aumentou a adoção de KPIs não financeiros no conselho em 19%.


Para transformar esses dados frios em uma narrativa que conecta, o segredo é trazer o contexto antes do número final.


Em vez de focar apenas no percentual, Marcelo passou a se posicionar em fóruns internos dessa forma:

"Duas empresas com culturas opostas precisavam falar a mesma língua em noventa dias. Nós desenhamos a transição e o turnover de líderes caiu 17%, o que manteve a execução da integração na meta estabelecida."

Note a diferença. Ele deixou de ser o técnico que apenas controla o orçamento. Ele se posicionou como o líder responsável por salvar a operação e integrar a cultura.

Depois, foi necessário repetir essa mensagem estrategicamente em fóruns e relatórios distintos. Para que o mercado substitua uma imagem consolidada, ele precisa ser exposto a novos fatos de forma recorrente.


O crachá mental que você precisa aposentar


O mesmo movimento salvou a carreira de Roberta, também um nome fictício adotado aqui para preservar a identidade do profissional, uma executiva que atendi em meu consultório de transição e posicionamento.


Ela era diretora de Recursos Humanos em uma empresa que passou por um processo complexo de spin-off. No ecossistema de negócios, as pessoas a enxergavam apenas como uma gestora de benefícios.


Ao identificar essa barreira invisível, mudamos a rota. Ela passou a apresentar dados ligando diversidade diretamente à retenção de talentos estratégicos nos encontros de negócios.


Em apenas cinco meses, Roberta foi convidada para conduzir a transformação cultural de toda a empresa controladora.


Se você percebe que a sua imagem atual já não condiz com a sua entrega real, faça uma pausa agora e responda com franqueza:


  1. Qual realização recente mostra, de fato, quem eu sou profissionalmente hoje?

  2. Que número ou fato comprova essa conquista de forma inquestionável?

  3. Onde e com quem eu posso compartilhar essa história ainda esta semana?

  4. Qual é o rótulo antigo que eu quero ver aposentado do meu crachá mental?


Rótulos antigos oferecem uma sensação de segurança, mas limitam o nosso legado e o tamanho do nosso impacto no mercado.


Se o filme que as pessoas assistem sobre você está desatualizado, não espere a iniciativa partir dos outros para reescrever o seu roteiro profissional.


A primeira pessoa que precisa reconhecer essa evolução é você. O mercado só acompanha depois.


Sou Juliana Starosky, criadora da Metodologia STAR.


A Metodologia STAR nasceu da prática, ganhou forma com os resultados e cresceu pela confiança de quem passou pelo processo.


Essa estrutura que hoje transforma carreiras não nasceu de teorias de prateleira. A Metodologia STAR surgiu na prática, logo no início da fundação da Starosky Consultoria, em 2011, inspirada pela história de uma Diretora de RH do setor farmacêutico.


Essa profissional buscava realizar uma transição de carreira complexa e decidiu acreditar no diferencial do olhar psicológico e estratégico que eu oferecia.


Ela se dedicou ao processo, reposicionou sua marca e conquistou um grande desafio em uma das maiores indústrias farmacêuticas do mercado. Satisfeita com o impacto real do projeto, ela passou a recomendar colegas de profissão.


Esse foi o marco inicial de um modelo de negócios baseado na confiança e na entrega de profundidade um a um. 


Daquele momento em diante, a consultoria consolidou sua marca no mercado de liderança C-Level. De 2011 para cá, mais de 90% dos nossos clientes chegam por recomendação direta de quem já passou por nossa metodologia e vivenciou a mudança de valor percebido na pele.


A metodologia integra Psicologia, inteligência de mercado e Branding em quatro frentes indispensáveis para líderes que desejam assumir as rédeas do próprio destino profissional:


  • Strategy (Estratégia): Traz clareza de direção para decisões de médio prazo, impedindo que você apenas reaja a urgências.

  • Talent (Talento): Mapeia suas competências reais e desarmar sabotadores internos que limitam o seu valor.

  • Authority (Autoridade): Constrói reputação autêntica conectada à sua real experiência, longe de posturas artificiais.

  • Relationship (Relacionamento): Desenvolve pontes e conexões que sustentam oportunidades ao longo do tempo, sem necessidade de busca ativa desesperada.


Tratar a própria carreira como um negócio de alto valor não é vaidade ou autopromoção vazia; é pura autorresponsabilidade estratégica.


Afinal, o mercado não sabe quem você é.


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Fonte | Referências


Artigo autoral, baseado na experiência prática em orientação de carreira, mentoria executiva, Executive Search, marca pessoal, LinkedIn, entrevistas, transição de carreira, saúde emocional e posicionamento profissional.


SCOTT, Sophie. "The Science of Familiarity: Why We Love What We Know". BBC Future, 2020.


WASYLYSHYN, Karol M. "Behind the Executive Door: Unexpected Lessons for Managing Your Boss and Career". Center for Creative Leadership, 2012."

 
 
 

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