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O "Show de Truman" Corporativo.

  • Foto do escritor: Juliana Starosky
    Juliana Starosky
  • há 1 dia
  • 4 min de leitura

Você é o protagonista ou um figurante na própria carreira?


Por Juliana Starosky


Nesta semana, o roteiro do artigo foi ditado pelo Gabriel. Meu filho de 14 anos, com aquela inteligência inquieta que busca compreender o sentido da vida e relacionamentos humanos, ele me pediu para vermos em família, o filme: "O Show de Truman". 



O pedido do Gabriel não foi por acaso; foi o gatilho perfeito para discutirmos sobre a busca pela identidade em um mundo de aparências e a consciência de quem verdadeiramente somos, sem perder nossa identidade, mas com verdade e autenticidade.


Eu como alguém que falo em "Marca Pessoal" para C-Levels e Gerentes Executivos, vim aqui trazer essa reflexão para vocês... vamos conferir um pouco sobre o filme, veja abaixo:



Nos últimos 20 anos, sentada à frente de mais de 3.000 C-Levels e Gerentes Executivos na Starosky Consultoria e tendo entrevistado mais de 10 mil profissionais em processos de Executive Search, percebi um padrão silencioso: muitos líderes, apesar do crachá de peso, vivem em uma espécie de Seahaven corporativa e para alguns isso é consciente e para outros ainda não.


No filme O Show de Truman, o personagem habita um mundo meticulosamente construído para que ele nunca questione a realidade. No topo da pirâmide corporativa, o cenário é feito de rituais de poder, métricas de vaidade e uma "segurança psicológica" que, muitas vezes, é apenas um roteiro bem escrito, mas vazio de verdade. Muitas vezes muitos treinamentos são show business, para maquiar um problema cultural. Esse "efeito placebo" sempre vai continuar o mesmo, porque quando o profissional sai do treinamento com sábios gurus, e volta a sentar em sua mesa, tudo continua da mesma forma, ou seja - o ambiente é o mesmo. 


Nas minhas sessões de mentoria, a máscara da perfeição executiva cai. As frases que mais escuto são sintomas claros desse "domo" de vidro:

"Juliana, eu olho no espelho e não reconheço mais o profissional que eu era. Me tornei um replicador de metas que nem eu mesmo acredito."

Como psicóloga e estudiosa da neurociência, entendo que esse fenômeno tem nome e base científica. Na Psicologia Analítica de Carl Jung, falamos sobre a Persona a face que usamos para nos adaptar socialmente. O perigo é a identificação com a persona: quando o executivo acredita tanto no papel que desempenha que perde o contato com seu Self (sua essência real).


Somado a isso, temos a Dissonância Cognitiva (Teoria de Leon Festinger). O líder age conforme a cultura da empresa (o show), mesmo quando ela fere seus valores. Esse conflito gera um desgaste cognitivo imenso, resultando em burnout e um vazio existencial que nenhuma stock option consegue preencher.


Mas, cá entre nós! Essa consciência é fantástica: Quando eu entro em crise porque algo não me pertence mais, começo o movimento de mudança. O triste seria nunca parar para ter esse novo olhar sobre si mesmo e sobre o ambiente onde se está. 

Não se culpe pelo tempo que passou e levou para que isso tenha acontecido, é natural você é um ser humano e desde criança, passamos por mudanças de visão de mundo e sobre nós mesmos, isso se chama: amadurecimento e crescimento. 


Vou lhe contar, quando eu conduzia no passado, processos de Executive Search, vi candidatos de alto nível paralisarem ao serem questionados sobre quem são fora do cargo. Eles eram o Truman Burbank percebendo, pela primeira vez, que as câmeras as expectativas de acionistas e do mercado estavam sempre ligadas.

Minha missão como Headhunter da Carreira® é ajudar a romper esse domo. Mas a solução não é o caos ou o abandono da carreira. A grande lição não é se decepcionar porque o mundo corporativo é um grande show business. Sim, existem palcos, interesses e audiências. O sistema tem engrenagens, e precisamos entendê-las para navegar com maestria e mais consciência e menos culpa.

A questão central é ter a consciência que Truman teve no final. O segredo não está em destruir o cenário, mas em ter a coragem de caminhar até a porta de saída do roteiro alheio para escrever o seu.

A busca deve ser interna. Resgatar sua identidade profissional o que te faz bem, o que é autêntico e o que é sustentável no longo prazo é o que diferencia um "ocupante de cargo" de um Líder de Si Mesmo.

Viver a realidade da vida é entender as regras do jogo, sem se tornar o brinquedo dele. 

Se as câmeras do mercado desligassem hoje, quem sobraria no palco?



Até o próximo artigo, adoraria ouvir sua opinião sobre o tema!


Juliana Starosky

Psicóloga de Carreira C-Level & Executivos | Fundadora da Starosky Consultoria | Especialista em Marca Pessoal, Reputação e decisões sob pressão | Ciência Humana aplicada à Estratégia | autora Headhunter da Carreira®



 
 
 

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